quarta-feira, 7 de março de 2012

Dos diálogos imaginários

Tenho que te contar uma coisa.
Que tipo de coisa?
Calma. É só uma conversa, dessas que a gente não grita, e termina sorrindo.
Como eu posso ficar calmo? Faz tempo demais que não é só uma conversa.
Mas eu preciso dizer mesmo assim...
Então diz. Tô assustado, é claro. Sempre. Mas eu amo a sua voz, ainda.
É que... não é justo.
Uau. Nada sobre nós costuma ser. Mas tá falando de quê?
Não é justo eu imaginar tudo isso.

Então pega o celular e me liga, me diz tudo isso de verdade. Minhas reações provavelmente seriam parecidas com essas que você imaginou. Eu provavelmente ia ser rude e falar alto no começo. Mas você também iria provavelmente vencer... Dizer meu nome baixo, uma ou duas vezes, e ganhar toda a minha suavidade de volta. Porque eu te amo, ainda. E você sabe.
Eu não posso...
Porque realmente não quer?
Não... Eu sei que eu não posso, só. Eu sempre vou querer.
Então eu não tenho mais que te ouvir.
Não, você não tem mais é que falar na minha cabeça!
Mas você também me ama, ainda. E é por isso que me escuta. Você ainda me espera, e ainda se permite sonhar comigo. Lembrar de mim. Quase viver em segredo comigo, imaginando todo o tipo de situação. É isso, não é? Eu sei que é porque, imaginário ou não, eu te conheci bem demais, melhor que todo mundo. É isso... E se não é isso, é o quê?
É saudade. E uma dose exagerada de carência. O dia tá se arrastando. E todas as pessoas que eu tentei me aproximar, pós você, me deixaram na mão - de uma forma óbvia, ou de outra completamente diferente - como esses dias confusos tem servido pra provar. Não sendo ou sendo exatamente o que eu preciso e quero. No final de tudo eles só não eram você... E eu sempre soube que você não é um cara bom, perfeito, ideal ou nada disso. E agora eu sei mais, me conformei com e aprendi mais: nós não temos mais a chance, mais nenhuma... pelos menos por um bom tempo, ou quem sabe pra sempre. Só que eu também ainda sei do óbvio, e é por isso que eu te escuto na minha cabeça quando o tempo fecha. Eu queria. Eu quis. E eu só não posso mesmo, é continuar querendo.

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