segunda-feira, 2 de julho de 2012

Henry D. Thoreau e a insônia

"Todo mundo fotografando, descobrindo e se apaixonando em Manhattan... E você aí, com todo esse potencial, continua na casa dos seus pais, escorregando pra amores pequenos e lembranças modestas. Sabe, não é muito natural acordar no meio da noite assim, angustiada, invocar um alterego e tentar se doutrinar - mas no seu caso é quase urgente, porque a inquietação anda em pico esses dias, não é mesmo? Não é sobre auto-ajuda, psicologia de bar e essas reivenções televisivas não - tem pouquíssimo a ver com tudo isso, porque, na real, é sobre caminhar de encontro a algo que você sempre foi, e não que precisa 'se tornar'. Você não precisa ser a mais legal, ou a mais divertida, ou a mais inovadora... Mas precisa querer coisas maiores, almejar dias mais cheios e situações menos convencionais! E não me venha com essa de "estar contente com as simplicidades da vida", porque essa nunca foi você, minha cara... Seu lance é morder a vida - é, morder ela - agarrar pela boca e sair correndo por aí, sem parar, sem pensar. Eu sei que pode ser assustador às vezes, mas você precisa, hm, querer crescer. Chega de passar frio nos dias mais quentes do ano, ou fazer planos mentais enquanto o corpo continua trancado no quarto. Chega dessa história de se limitar porque fulana ou ciclano não acompanham seu ritmo, não partilham da sua filosofia. Vai sujar a roupa um pouco, sábado a noite, ou pode ser em uma terça-feira!, vai se sujar e, se rasgar no processo, nada dessa história de se arrepender e prometer 'nunca mais fazer isso', troca de roupa e se suje de novo! Parece que é um discurso direcionado a vida boemia e só, mas no final das contas, tem pouquíssimo a ver com ela de fato. É só sobre ousar, sabe, profissionalmente por exemplo: tem tantas idéias aí, e tão pouca ação. Essas dúvidas malditas: você precisa matar elas! Tem que começar por aí, sinceramente... Decide: se quer um de volta, ou se vai lutar pelo outro; se quer se formar logo e vivenciar de fato a faculdade, em uma tacada só, ou se prefere uma pausa, pra morar em outra capital e se desprender um pouco desse grande 'resto de adolescência' que você virou. Diminui as doses de amor-para-sofrer, diminui as sutilizas educadas que seu discurso possui, diminui os sorrisos induzidos e diminui as tardes de facebook. Aumenta os vícios - sim, aumenta os vícios... esses da alma, por exemplo fumar só com uma pessoa, visitar um mesmo jardim toda a semana, ver o sol nascendo em cima de uma pedra, passar noites de edredom-branco com ele, às vezes, sem deixar espaço para os cinco anos pesarem (...) Um desses filósofos que você ama disse uma vez que só tem como se encontrar, depois de se perder de fato. Por favor, vai se perder então... antes que essa inquietude linda, esse impulso contagiante, resolva se perder de você."

Nenhum comentário:

Postar um comentário