quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"Mas tudo bem... tá tudo bem, meu bem!"

Dia 9 chegou rápido demais. Eu não sei que roupa vestir, ou que perfume usar... Dormi mal a semana toda, achei que tivesse haver com o excesso de trabalho que eu assumi, mas eu poderia ter parado mais cedo e ido deitar um pouco antes. Na real, é a ansiedade me consumindo. Não a ansiedade boa, mas a ansiedade velada, que antecede a sua... viagem. Eu sei que já tem 8 meses que você não é mais meu e eu não sou mais sua, mas isso é uma mentira deslavada e nós podemos tentar, mas não enganamos ninguém. Agora chegou o dia, e você me convidou pra um café, antes da minha aula, e antes do seu voo... Me convidou pra uma despedida, e eu até tentei pensar em uma resposta mal-educada na época, mas deve fazer sentido, ir dar tchau - nós somos quase experts nisso. Eu lembro de quando você cantou Beatles no aeroporto e prometeu me mandar, todo dia, "todo o seu amor". Lembro daquele dia aqui em casa, quando nós sentamos de costas um para o outro e choramos baixinho, ignorando o erro que estávamos por cometer. Eu queria fugir disso, de mais uma dessas... Mas no fundo, quase preciso. É complicado, sempre foi, sempre vai ser. Mas eu preciso ir olhar nos seus olhos azuis uma última vez, falar bobagens pra te arrancar sorrisos e te pedir cautela, paciência e juízo. Preciso que você segure meu rosto entre as mãos quentinhas, e que jure me amar pra sempre mesmo de tão longe. Preciso sentir sua respiração quebrando no meu pescoço, enquanto recuso me despendurar do seu abraço enorme, do seu cheiro amadeirado de almíscar e sândalo. Você vai ficar oito meses fora, parece estúpido ir se despedir de alguém que, por escolha, eu me mantive (ou tentei) afastada nos últimos oito meses. Mas nunca achei meu coração muito esperto mesmo, e Deus sabe que eu morri de saudades, mesmo fugindo das minhas promessas choronas e indo te ver quase que mensalmente, mesmo sabendo que você estava a um metrô de distância. Nem sei se o que está me deixando a garganta seca, agora, são as saudades-monstras em potencial. Com as saudades, eu lido, aprendi a lidar. O que me mata, é  a possibilidade de te perder de vez... Mas... tudo bem. Você tem que ir - já sei que vai transbordar de emoção e dizer que, "se você pedir, eu fico, juro que fico" - mas não é assim, nunca foi assim! Nosso amor vence essas coisas, cambaleia, se parte de formas que parecem simplesmente demais, mas eu te prometo que ele vence! Agora preciso ir esfriar a cabeça, pensar em uma forma graciosa de te contar que, em março, muito provavelmente seja a minha vez de ir conhecer outros mares, e que, nossos meses somados, dão um ano e três meses de afastamento... Também preciso pendurar meu pingente de coração ("O Seu coração é o Meu coração e juntos eles batem, em unissom, como o Um Só que de fato são.") e prender o cabelo daquele jeito que você gosta tanto. É, eu preciso ser a sua menina uma última vez... Mas só por um tempo, só por um tempinho, Sr. Âncora. Depois fica tudo bem, sempre fica.



3 comentários:

  1. Você precisa urgentemente parar de me fazer chorar com os seus textos e esse seu jeito tão... real de demonstrar tudo que está sentindo.
    Sério. Sem palavras.

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  2. É engraçado que, das pessoas que converso na faculdade, sei das histórias de praticamente todas. Da sua eu não sei aboslutamente nada, e por mais estranho que pareça, eu curto demais isso.
    Ótimo texto Vick. O sentimento transborda. Parabéns.

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  3. Talvez agente tenha mesmo essa mania de gostar de coisas complicadas, a verdade é que isso de se afastar enquanto há chance de ficar perto e correr pra perto quando o mundo nos obriga a ficar longe eu conheço bem... Adorei o texto Vic :)

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