terça-feira, 4 de setembro de 2012

(auto)Debate

Ontem, 3, aconteceu o segundo debate entre os candidatos a prefeito da cidade de São Paulo. Foi mediado e transmitido pela Folha, em parceria com a RedeTV. Sou viciada em debates já tem um tempinho. E não é só porque é divertido ver os caras trocando farpas (embora seja, e muito), mas é o melhor (senão único) jeito de conhecer os candidatos, né? Campanha eleitoral é composta em 20% de ataques aos concorrentes, sem direito de resposta, com acusações que, mesmo que verídicas, vem distorcidas e contextualizadas a favor de quem critica. Os outros 80% são propaganda, que 80% das vezes também é distorcida, ou só enganosa mesmo. Enfim. Matei muitas curiosidades ontem. Sou metida a fazer micro análises de todo mundo e, no caso dos candidatos, preciso & tenho tentado fazer isso desesperadamente, 24 horas por dia. Admito estar em pânico, hahaha. Eu não sei como usar meu voto a favor da minha cidade, ainda. E não sei se vou conseguir maturar essa decisão a tempo. Porque tá muito, muito difícil mesmo votar em 2012, gente. O que uns tem de despreparo, outros tem de irrelevância. Os maiores, são os mais mal-intencionados. E os menores, ou são leigos, ou são só... pequenos demais pra brincar. 

Vou começar falando do Paulinho da Força (PDT), porque ele foi o cara que mais me assustou ontem a noite. Nunca tive amores perdidos pelo candidato, ou pelo seu partido duvidosíssimo. Mas rolava uma espécie de "respeito afastado", já que eu conheço a história bem por cima mesmo. Ontem ele coronalizou geral e, sabe, é nessas horas que a gente agradece por ter tido a paciência de ir dormir um pouco mais tarde em prol do debate. Sim, ele "coronalizou", gente. Bancou o vargista, defendeu o cara sem nenhum pudor e criticou Carlos Gianazzi & partido (PSOL) baseado no fato de que "eles são tão pequenos e chatos na câmera, que ninguém do meu partido para pra prestar atenção, porque a gente tem coisa mais importante pra fazer, e eles só tem um representante na câmara estadual, que só serve pra encher o saco". Aaaah, mas é muito bom saber, querido Paulinho! Acho engraçado um cara que foi líder dos sindicalistas por tanto tempo, usar humilhação como base de argumento quando se dirige a uma espécie de esquerda menor (o PSOL). Que tipo de índole é essa?! Que tipo de proposta gestora esse homem tem pra São Paulo, a maior e mais importante cidade do país (guardados as proporções e separatismos tucanos)? Além de corrupto, pipoqueiro e metido a chefão, o tal do Paulinho é um coronelzinho, com bases partidárias seriamente Vargistas, e envolvidas tanto nos escândalos centro-esquerda, como centro-direita do país. Se fosse só isso, mas o camarada não tem preparo nenhum pra discutir as questões mais pertinentes da cidade! Quando perguntando sobre corrupção, as máfias paulistanas e o envolvimento destas como o seu partido (se não em engano, pelo próprio Gianazzi), não conseguiu responder, gaguejou, disse que o importante era "discutir as questões da cidade" e voltou pro seu texto decoradinho, que, convenhamos, falta em criatividade, em energia, e em todo o resto também.

O segundo a chamar minha atenção em um jeito extremamente negativo, infelizmente, foi o Fernando Haddad (PT). Não, ele não é um Paulinho da vida. O cara é preparado - podem se apegar aos defeitos do ENEM e as "injustiças raciais" das cotas - como ministro, foi um grande profissional e gestor. Tem o discurso responsável e prático, e não é leigo, nem bobo. Resumindo, não vejo nada de errado na pessoa Haddad. Também não sou expert em política, que fique claro; meu interesse é proporcional à minha vontade de ver a cidade, estado e país funcionando, harmônica & socialmente. Porque sim, eu não ligo pra economia decolando, ou o Pão-de-açúcar virando um gigante na propaganda de whiskey. Eu quero, e sempre tentarei votar, a favor do bem-estar social. É por isso que o PT sempre estará a frente do PSDB da minha intenção de voto; é por isso que eu desprezo o segundo partido com um fanatismo quase futebolístico. Mas o probleminha-Haddad, pra mim, surge bem aí. O cara é um Filho de Lula e frisa isso, em to-das as suas respostas, de maneira quase católica. Pode ser que seja a proposta do seu marketeiro - colocar o candidato sempre a sombra onipotente do Presidente do Povo, de maneira que a gente nem veja ele direito - só o fato de que ele é o candidato do governo. Isso... irrita. Até pra quem apóia (guardados os fanatismos partidários) o Governo Federal, como eu. Eu quero ver o Haddad "futuro prefeito de São Paulo" falando, e não o "ex-ministro amado pela Dilma & pelo Lula". Fora isso, a outra última coisa que me deixou com o coração partido essa noite, foi a resposta do Haddad para a pergunta da Soninha (a mais genial da noite, assim como muita das coisas que a Soninha, inspiradíssima, disse ontem): "E o Maluf, Haddad?" Ele ficou cor-de-beterraba, e nem foi por despreparo, já que não existe preparo no mundo que possibilite um candidato a justificar uma aliança com o PP, né. No final, terminou falando que "quem deve justificar o apoio, é quem apóia, e não o apoiado". Muito, muito... triste.

Tá, deixa eu falar do José Serra (PSDB) antes que eu exploda aqui, vai. O que o cara não tem de caráter,  transborda em experiência. De quantos zilhões de debates o Serrinha já participou?! O coitado do Chalita tinha todos os argumentos e tava tentando fortemente meter a lenha na última [meia]gestão tucana, quanto a questão das escolas de tempo integral; falhou - parece que o Serra tem uma barreira invisível, protegendo-o de toda a sua "falta de realizações" com uma capacidade assustadora de discutir e argumentar, mesmo sem argumentos ou razão. Depois o Gianazzi, sobre a Saúde paulistana e a tal da entrega de remédio em domicílios também fez críticas primorosas... mas o cara tem um discurso tão idiossincrásico, tão "ei, eleitor, pelo menos você sabe quem eu sou, e esse outro cara não", que fica difícil brincar. Ele é tipo um vizinho que te convida pra jogar video-game, perde, e bota a culpa no controle com defeito, ou diz que não queria ganhar "porque não tava valendo nada mesmo". O Gianazzi detonou a pergunta mal-feita do tucano, sobre o remédio domiciliar, apontou com muita competência todo o descaso da gestão Kassab, que ele próprio "criou" - tudo o que o Serra disse na réplica, foi "Bom, em primeiro lugar, eu não "criei" a segunda gestão Kassab, ele se reelegeu." - Tipo, "culpa de vocês eleitores, não minha, otários". Depois mandou um "Ah, que pena, eu esperava uma proposta do candidato Gianazzi pra que nós pudéssemos discutir" - mas ele gastou todo o tempo apontando os erros do meu partido nojento e sua privataria desmiolada que ferrou com a saúde.

Gente, do Celso Russomano (PRB - É O PARTIDO DA IGREJA UNIVERSAL SIM, SEU ESCROTO), eu não tenho muito a acrescentar. O cara é mesmo um sensacionalista dos chorões, como algum jornalista colocou brilhantemente esses dias (não lembro quem, nem quando). Faz biquinho de passarinho, afina a voz, também não responde nada, e só frisa, cheio de piedade, que a "população precisa de mais qualidade, eu ando pelas ruas e eu vejo isso: nós precisamos amar nossas pessoas, e como prefeito, eu farei isso incondicionalmente". Ba ba qui ce. É o cara mais sujo, quase ofende seus concorrentes por estar presente nos debates, e pronto.

Soninha e Levy me surpreenderam também, mas não pra mal. Quer dizer, na medida do possível. A Soninha sabe discutir, colocou brilhantemente suas posições em relação ao fanatismo partidário, em relação a sub-prefeitura que ela assumiu na gestão Kassab, que ela tanto critica (ela e o mundo, né gente) - pra mim foi o ponto alto do debate, sinceramente, eu olhei pra pequena ex-boleira e pensei "eu me sentiria bem representada por essas opiniões na prefeitura". A pena, é que tudo o que sabemos dela, são as opiniões. Falta... sei lá, falta muita coisa aí. O Levy é um grande cara também, tem pinta de governante, pena que exala "Estado Mínimo" e "Soluções Bancárias" pelos bigodes, hahaha. É o tipo de "chefe gente boa que, mesmo só pensando em dinheiro, é um cara legal e não comete injustiças". Longe de mim com os grande empresários, mas o Levy é preparado, intelectualmente, e o Paulinho me perturbou tanto por não ser nem um pouquinho, que me apego aos que são, haha. 

Eu gosto do PSOL, e achei o Gianazzi um cara bacana. É um partido social, que não vai somar mais de 2% de intenção de voto nunca, porque a propaganda é limitada e as pessoas curtem mesmo é eleger um Homem Olimpiano. Por último, e quase menos importante mesmo, tem o Chalita. Ele é bem articulado, ele não é um idiota completo, ele tem propostas boas e mesmo com aquela cara de bobo e aquela voz de dormir, não é uma perdição total. Mas, AH, ele é o do PMDB, né? Ok, então não.


E vocês, votam em quem e porquê? Hahaha. Já vou avisando pra quem ainda não sabe com certeza, que pensar vai doer! Mas defender um país não é só ir pra guerra matar uns nazistas! Votar funciona gente, tenhamos fé.

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