segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Dia D (de Dominic)

São 7h00. São 7h30. Você perdeu meia-hora. Perdeu meia-hora e essa meia-hora desconfigurou seu dia inteiro.

Mas tudo tem um motivo. E tudo tem consequências também. Voltemos no tempo, pra explicar primeiro o motivo:

Foi dormir tarde. Tava passando um filme do Jackie Chan, um dos melhores, e desde os nove anos filmes vintage do Jackie Chan são uma paixão verdadeira. Mas nem foi por isso. Podia ter se contrariado e ido dormir. Poupou o sono de propósito. Poupou o sono porque o domingo, lindo e ao mesmo tempo odioso, já tava acabando. Quando o domingo acaba, é triste. Pelos motivos convencionais - tipo trabalho, uma rotina de cão, faculdade e todo o resto. E pelos motivos secretos, que não vem ao caso explicar. "Então fica, domingo. Fica mais um pouco!" Esse foi o pensamento, e aí levantou só 7h30.

Agora as consequências. O café da manhã foi veloz, você nem teve tempo de abrir a gaiola e deixar a gordinha pular na sua torrada, ou bebericar seu suco. Esbarrou com a mãe saindo e foi grossa, desatenta e odiável. Daí esqueceu o Bilhete Único em cima da mesa, comprometendo todo o orçamento do dia. Sem falar que escolheu uma roupa pouco confortável, que poderia apreciar um ferro quente antes de ser vestida. Pegou o ônibus alternativo, e o tráfego de caminhões é liberado na Av. Sapopemba, tremendamente caótica nesses tempo graças a obra do Monotrilho, à partir das 8h00. Meia hora vira uma hora e meia, e você chega no metrô mais tarde, na empresa mais tarde. Saí mais tarde também, porque essa é a lei do ponto eletrônico e 'descontos' não são bem vindos nessa era de dívidas e dinheiro [sempre] insuficiente. Chega na faculdade mais tarde, com mais fome, menos paciência, intelecto e emocional. Come mais rápido, em um centro de convivência mais cheio e barulhento. Hoje você precisava daquela uma horinha de folga que antecede a primeira aula!, não porque não terminou a atividade do professor Bobão - conseguiu dar conta disso no domingo, pela primeira vez em anos! Mas é que finalmente vazou o cd da banda preferida e você queria ficar num laboratório do Delta ouvindo ele inteirinho... já que a vida é tão, mais tão boa, que o pc da empresa tá com a entrada de áudio quebrada e - agora - você só pode ler comentários e esperar mais algumas angustiantes horas antes de ouvir um álbum que esperou por três anos. Depois tem aula. Duas, ainda. E tem os 'ois', os 'tchaus'. Não é culpa de ninguém!, mas tem uns ois e tchaus que realmente podiam esquecer de vir hoje - só hoje. Aí acaba o dia, você faz mais uma viagem, gira a chave e já abre a porta de casa sem forças pra se arrastar vão a dentro. A sorte dessa entrada dramática, mesmo, é que a Dominic sempre pia lá dentro da gaiola dela - e aquele piadinho de "Oi? Mamãe?", te atraindo para o último (e salvador) contato do dia - e ele é silvestre, amarelo clarinho, tem bochechas laranjas, penas quentinhas e define o amor. Então tudo bem, né? Então tudo bem ter perdido meia-hora! Ela sempre me devolve ♥

2 comentários:

  1. Eu não sei a Dominic é que é apaixonante demais ou se é você que faz a gente se apaixonar tanto por ela. Mas é muito amor!

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  2. Otimo texto. Os detalhes são incríveis.
    Parabens.

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