quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O bosque

Ele é pleno. Pleno em sua disformidade, incerteza e falta de padrões. Não há simetria entre os pés e os troncos das árvores. Não há cores claras, intensas ou avermelhadas manchando o chão, a copa e o aspecto das árvores. Tudo se resume e se altera entre tons de cinza e verde escuro, tons de pedra. As folhas secas desprendem-se da mãe sem charme, sem novidades… Caem mortas e incolores num solo irregular, repleto de húmus marrom. Esse é o ciclo. O sol penetra por entre os galhos mais altos e só reflete as cores que no bosque reinam, as cores comuns e auto rotativas que no bosque nasceram e no bosque vão morrer. É caos, não só chaos como do grego – espaço livre – não, é caos pela desorganização e pelo excesso de simplicidade, pela falta de regra e de necessidade da mesma. O bosque é intocável. Ele é absoluto. O bosque nasceu e vai morrer protegido. Ele não precisa de um padrão, não precisa se provar, não precisa se domar. Um bosque é pleno porque é simples, porque se encaminha pelo princípio mais básico – o do aleatório. Isso é um bosque, lindo – inexpugnável graças a seu incrível equilíbrio, sua inacreditável ordem fechada e natural de existir, de reinar sobre ele mesmo.

Eu sou um bosque, você é um bosque. Um bosque que precisa fingir, e logo acreditar, que suas árvores nasceram alinhadas, simétrica e flexíveis. Um bosque que deve negar suas cores comuns, pálidas e instintivas – pra poder brilhar em oito tons diferentes quando o sol exigir. Brilhar colorido e, se possível, real, em extremos simplesmente não naturais a um boque. Eu sou um bosque, você é um bosque... que deve negar sua existência aleatória, seu caos natural, seu princípio e anti-objetivo comum à todos os bosques. Um bosque, no entanto, que desde muita cedo teve arrancado sua proteção impenetrável. Um bosque que foi criado exposto, como se assim fosse o mais correto. Um bosque com defesas corrompidas e que nunca, em nenhuma das onze dimensões, vai poder ser pleno ou absoluto como todo bosque na origem deveria ser. Porque destruidoras foram as pequenas regras, a um ponto em que eu virei homem, você virou homem… e o bosque dentro de nós, virou ideia.

Tumblr/ Domínio Público

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