quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Soundtrack

Luzes quebrando em micro centros, all over the floor. A fumaça leve, quase invisível, com seu cheiro específico, composta por partes iguais de gelo seco, ar condicionando-se, respiração alcoólica e suor de perfume importado. Daí a cabeça gira e os pés falseiam, só o suficiente pra saber que é hora de parar de beber for good, tirar essas mãos estranhas da sua cintura, continuar andando e, pra variar, prestar atenção em pelo menos uma das letras da discotecagem, feita com tanto carinho pelo dj. "Where's your boy tonight?" Só tem letras de merda assim aqui?, ou a vida que é uma merda? Andando um pouco rápido demais, sem tirar a mente da letra, percebe as mesmas mãos de volta na sua cintura, seguidas dos braços e dorso, pescoço e um rosto lindo, mas... "Where's your boy tonight? Where? Where's he?" Gira, bate a mão em algum lugar feito de concreto, a dor vem, afasta o desconhecido outra vez, pra logo em seguida decidir que ainda quer dançar com ele, pelo menos dançar - coisa de bêbado. Só que a música não acaba nunca. A luz quebrando às vezes atinge uma retina, ou duas pupilas e isso dói também... Ele quer dançar e mais do que dançar, dança bem, mas quem é ele? A letra da música ainda tá em todo lugar... "Where? Where? Where is your boy tonight? You know, your boy!" Quando o som parece crescer dentro do estômago, percebe que deveria ter parado antes desse ou daquele shot. Uma porcentagem dos pensamentos conclui que é confusão, que é pra tirar esse estranho de perto, sentar, e nunca mais prestar atenção nas letras depois da tequila. Outra, outra só sente o cheiro quente de sândalo e qualquer outra coisa boa, emanando do estranho, emanando do estado de espírito, bebedeira e sonoridade que a noite te deu. Mas a música não acaba nunca, e os versos continuam se repetindo sadicamente... "Where, where, where's he? Your boy" (...) No final todo mundo terminou sozinho, ninguém caiu no chão, sorriram por cordialidade, fizeram o ambiente ferver e sonharam mais um Sonho de Augusta. Foi divertido, intenso, triste e de uma decadência linda, como tem que ser. Só que a música, mesmo depois de acabar, não acaba nunca.

2 comentários:

  1. Me ensina a escrever desse jeito que faz a gente se sentir a personagem principal das suas histórias? *__*

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  2. Fiquei tão hipnotizada que até esqueci o que ia comentar.

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