quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Eventually...

Faz tempo. E faz falta. Tem dias de sol que uma palavra te empurra pra chuva. E tem dias de chuva que baixa a guarda, se permite sorrir e sente o sol esquentando de dentro pra fora. É uma bagunça. E dessas, pra bem ou pra mal, sem definição. Já teve!... definição. E ela durou anos, simbolica e socialmente. Era um lance meio épico, parecia ter saído do melhor dentre os contos (ainda) não escritos de amor. Até que veio uma explosão atômica, sem dó, pra realinhar todas as moléculas, bagunçando o mais bem definido dos sentimentos, o mais inalterável entre os "status de relacionamento".

Sua mãe até tentou avisar que, se um dia isso acabasse, você iria ficar a mercê de nada além de uma adolescência inteira de memórias. Era verdade. Foi exatamente assim. E demorou tanto pros dois entenderem que "essas coisas acontecem". Que bombas nucleares explodem, as vezes, bem na nossa cabeça - em cima de tudo aquilo que a gente considerava básico e inalterável. E que não existe órgão mais confuso e melancólico que o coração. Foi... uma merda, com o perdão da palavra. Dias na cama, e quando não na cama, querendo estar nela. Doía de dentro pra fora e de fora pra dentro. Toda referência, direcionada ou sem intenção, fazia o estômago vacilar. O quarto e os amigos passaram por uma espécie de reforma: fotos, lembranças, músicas e algumas palavras se tornaram proibidas. Os presentes e itens de forte associação foram pra um baú (literal). E a rotina, coitada, virou fumaça e destroços. 

Passaram o quê, seis meses? Até que eles voltaram a conversar. Os primeiros (re)contatos foram acidentais, limitados e frios. A vontade, a unica vontade - a unica - era de correr, pular no colo, chorar, beijar e gritar que "Eu te amo, eu só te amo. Pra sempre, desde sempre! Te amar é tudo que eu sou, e é tudo o que eu sei fazer." Mas ficaram só no "Oi, tudo bem?" mesmo, evitando cruzar os olhos e passar mais de dois minutos no mesmo ambiente. Até que começou a ficar difícil fingir que tava tudo bem - ou que, um dia, voltaria a ficar. Até que o telefone voltou a tocar na madrugada, aquele toque especial, deixando o rosto quente e as mão trêmulas. Até que... ele apareceu sem ser convidado e eles se beijaram na chuva, se trancaram no quarto. Até que o 'óbvio' voltou a ser 'inevitável'. Mas... e agora? Agora o quê?

(...) 


Um comentário:

  1. Sua história de amor é a minha favorita, sabia? Mesmo competindo com a de todos os livros e filmes românticos que eu adoro.
    Juro que torço pro final feliz!

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