sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Babe, it's cold outside

"Dezembro. Dublin, esse frio absurdo.
Um banco gelado, uma caneta falhando e as pontas dos dedos congelando só pra poder escrever uma carta à mão. É que... Tem uma Árvore de Natal gigante aqui. Ela tem uns 15 metros e é natural. Fica dentro de uma galeria, no centro da cidade. Me disseram que é tradicional, classic irish, todo ano tá aí. É muito, muito bonita mesmo. Não tem nada dourado, nem glitter, nem laços vermelhos gigantes. Só o verde profundo de um pinheiro de verdade invadido, sutil porém completamente, por luzes de todas as cores. Luzinhas. São pequenas - ou a árvore é que é simplesmente muito grande mesmo. E são muitas, incontáveis. Elas brilham bem, mas não ao ponto de roubar o verde-escuro do pinheiro, sabe? Queria tirar uma foto pra você, mas a câmera do meu celular tá engraçada, e a outra ficou no Brasil, dessa vez. É simplesmente uma das coisas mais lindas que eu já vi. Você, então, iria delirar. Árvores e luzes: são seus amores. Iria ficar parada umas duas horas por dia em frente a árvore, eu sei que sim. Principalmente durante a noite, quando tudo em volta apaga e as luzes roubam a cena. Tá um frio desgraçado já. A respiração, sai em nuvem... Eu quase consigo ver você aqui. De touca, cachecol e um casaco enorme, encarando a árvore com os olhos cheios de água, refletindo ainda melhor as 9.000 luzes. Respirando em formato de fumaça branca, tentando me explicar o quanto ama luzes e árvores de natal. É... se eu me concentrar bem, eu quase consigo te ver. Ponta do nariz vermelha, aquela carinha de quem "não consegue expressar plenamente o quando se sente feliz perto do Natal". É só eu olhar fixamente pra árvore durante um tempo, que é como se você estivesse do meu lado, no banco, me convidando pra te abraçar com aquele meio sorriso torto. Acho que é por isso que, desde que voltei, passar uns bons minutos aqui, diariamente, virou regra. Você tinha que ver essa árvore, Vic-nic.
Always, G."

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