terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Hell Of A Season

Você morreria pela primavera?
Não. Eu morreria pelo Sol. O meu Sol. Esse ano eu tentei aprender a viver no escuro. Só serviu pra constatar que sem Sol, a gente não vive. Aproveitando o título, a onda e o novo vício, vou para-frasear Black Keys pra exemplificar: I will be dead when you were gone. Agora vem aqui, para com essas viagens bobas. Vem e fica. Aqueles dias lá em casa foram tão lindos! Matamos, juntos & de uma vez por todas, fantasmas e saudades. Conversamos sobre nossos livros favoritos, a tristeza das coisas todas e como o nosso futuro só pode ser o mesmo. Agora, o que me enlouquece, é a distância imposta. Sobre a primavera, então... quem não gosta de flores, roupas gracinha e amores eternos? Morrer por ela, eu não sei. Agora, sem ela, com certeza!

Mas e o outono?
O que é outono? Outono é passar frio na rua e calor embaixo do edredom? Outono é morrer por dentro pra nascer denovo? Não, poxa. É aquele vento gelado que não deixava vocês acenderem o cigarro lá fora. É aquela música lírica, aqueles sorrisos espelhados e aquele soninho que vem depois do beijo. Sabe aquele silêncio soturno que o mundo tranca a gente em antes de o final de algo? Isso é outono. E, acredite, pra gentinha tipo você (que tatua uma âncora próxima ao coração e se preocupa com ovos de páscoa), a beleza solitária que o outono trás pode ser fatal, mas também pode ensinar tanto!

Inverno tem haver com falhas, né? 
Tem que ter. É a estação mais linda, séria e triste do mundo... inevitável, como errar e sofrer com os erros por aí. Black Keys diriam que  "mesmo sem você saber ou reconhecer, eu faria qualquer coisa para garantir sua felicidade". O inverno tem dessas. Inverno, às vezes, é abrir mão de ser mimada. É deixar quieto "porque é certo", ou porque tá frio demais pra lutar cabeça-à-cabeça. Sabe quando parece o fim do mundo e/ou a maior das injustiças? Então, é o inverno te explicando que vai ficar tudo bem. "Tudo bem quando ele voltar", "tudo bem depois das férias", "tudo bem sem isso", "tudo bem com aquele tantão de aquilo".

O que nos leva a última, o Verão.
A estação dos biquínis molhados e dos livros devorados em poucas madrugados. A estação dos óculos escuros, do carnaval, da cerveja gelada, da família toda parando o que está fazendo pra observar um pássaro silvestre, ou um trio-elétrico beira-mar. Todas as coisas mais malucas (de boas) que eu já fiz na vida foram no verão. Até o que antes costumava ser chão-firme e hoje não passa de lembrança irritante, tem pra si um espaço no meu "armário de memórias de verão". Verão é sair correndo, só porque deu vontade, na grama, areia ou asfalto quente. É não ter medo da prova de amanhã, nem da matéria de logo mais. Sabe "existir"? Plenamente, morrendo de calor, empolgada com mil coisas ao mesmo tempo e sorrindo muito mais do que chorando? Eu chamo isso de verão. E é claro que os anos novos todos começam bem no meio de um verão! Um desejo, então: que o próximo, o ímpar, o ano onde eu "juro solenemente manter o que (e os quems) eu amo mais próximos, e ser mais forte, e mais bem resolvida", comece, seja feito, repleto & forrado de verões. E, se não for possível que se constitua só disso aí, que os amores eternos da primavera percam menos pétalas. E que o ventos gelados, de aviso do outono sejam mais sutis, porém claros e objetivos. Também tem os sacríficos penosos do inverno - que eles sejam menos lindos, e mais fáceis de suportar.

Então, chega. Porque já tem vida o suficiente nos dramas que a gente cria, faz e desfaz. E drama o bastante na vida que a gente leva, puxa e empurra. Já pensou inflar tudo isso e elevar banalidades ao direito de narrativas? Já pensou descrever dia-a-dia e tudo o que de mais infantil fazemos por aí em capítulos didáticos de novela? Já pensou tentar justificar perfeitamente todos os nossos erros, assumindo zero culpa e zero responsabilidade? (...) O mundo, acredite, gira em torno do Sol, em nome das estações e sob as leis da gravidade. Nada mais, nada menos.

Prometo uma retrospectiva mais séria e menos subliminar antes de 2013!

2 comentários:

  1. Eu pensei em um milhão de coisas pra comentar aqui, mas ao mesmo tempo, fiquei sem palavras.

    Essa foi descrição mais próxima da exatidão de como passam os anos, as estações e de como a vida se arrasta. Bem ou mal, todo mundo espera superações e recomeços de um verão, mas acho de verdade que tais momentos se escondem entre os ventos gelados e garoas de outono e as crises de inverno.

    O Sol não tá aqui pra fazer ninguém morrer não, muito pelo contrário, enquanto houver sol (o seu e o de qualquer um de nós), que haja vida!

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  2. "...Todas as coisas mais malucas (de boas) que eu já fiz na vida foram no verão."
    Deve ser por isso que o ano começa e termina no verão, porque mesmo com as outras estações, o começo e o fim sempre serão bons.
    Lindo texto :)

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