terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Transferência para linha 2 do Metrô

Mergulhada na edição atual. Decorando todo e cada jeito de montar uma frase, expressar uma ideia, reunir uns sentidos. A verdade é que eu sempre fui muito boa em absorver o jeito de escrever das pessoas. Sempre que termino um livro, fico narrando minha vida ao estilo do escritor. Me dá duas horinhas com o seu blog, e eu sei fingir que sou você no chat. Enfim. Dessa vez é mais sério, urgente - assustador - se eu não estivesse tão empolgada em aprender, virar parte do time.

A voz pacífica da linha amarela não condiz com aquele apito irritante que antecipa e segue o anúncio. Minha estação. Antes das portas se abrirem, mais do apito irritante. Tirei a cabeça de dentro da revista e... olha só quem tá encostado na porta, essas "duas estações" todas, te observando sorridente!

"Puta que pariu cara, faz tanto tempo!"

E faz. Pensar que a gente estudou junto durante uma época. Parece outra vida. Nem lembro direito de como era lá, de como era com ele. A barba continua linda. Deve ser a barba mais linda de São Paulo. Os olhos, verde-desbotados, continuam cansados. A voz tava vívida, no entanto. Respondeu com um sonoro "Porra, tempo demais, menina!" A gente pulou do metrô de braço cruzado, andou rápido, meio correndo e sorrindo, pra fora do fluxo. Depois, o abraço. No meio desse abraço-monstro deu até pra lembrar um pouquinho dos tempos da FFLCH.  Ficou claro que, na real, nunca esqueci do jeito fraternal, de irmão mais velho, que ele tem de abraçar. Sempre amei, mas nunca me enganou.

"Que linda... Tá linda! Como você tá?!"
"Com... saudade, Thiago, seu maldito! Onde você andou?!"

O horário não deixa o reencontro ser fixo. Caminhando e explicando que "não se faz isso! esse negócio de sumir, não se faz", me disse que tá no emprego dos sonhos. Mais um abraço, pra anunciar que não é só ele. Comprou um carro, se apaixonou por milhares e não ficou com nenhuma. E eu?! Que não tenho carro, só fiz besteira e ainda assim tô feliz? Mencionei coisa ou outra, falei do cachorro novo, do ex-namorado velho. Derrepente, já tava na hora das rampas. São duas. Eu sei que ele desce na Sumaré. Eu sou Tamanduateí. Sentidos errados.

"Vai, a gente tem mais um minuto. Me diz quando eu posso te ver outra vez!"
"Thiago... que saudade, velho."

Gastamos o derradeiro num terceiro abraço, sem falar nada. Tórax coladinho, respiração dividida. Fim das rampas. Deu tempo de tirar um Suflair derretido do bolso e falar cheio de orgulho "tó, é seu, Dona Vi"!


Agora, tô é digitando a sms...
"Vai, me diz onde eu posso te ver denovo."

2 comentários:

  1. Cara, amo seu jeito de narrar as suas histórias. Consigo imaginar toda cena, o seu jeito com a 'Thiago' e até ele te respondendo. Sensacional.

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  2. Me emocionou. E quero que vc finja ser eu um dia no chat depois de ler meu blog, haha.

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