terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Louça

Hoje eu quebrei um copo. E era um copo lindo, transparente, especial. Quase espelhado - me permitia reflexo, meu próprio reflexo - e eu acho que ele nunca tinha me parecido tão bonito antes. Eu quebrei o copo! E foi porque minhas mãos tremeram muito na hora de segurá-lo. Eu sei bem que foi isso que fez ele cair, tenho certeza... sabia que ia acontecer antes mesmo de começar com a louça. E, mesmo assim, comecei... como que pra me provar errada, sem me preocupar por um instante com o coitado do copo que estava ali, nas minhas mãos (trêmulas) o tempo todo. Quando ele caiu, eu vi ele caindo. Podia ter pego. Ou pelo menos acho que sim. Talvez se eu tivesse tendado... mas hesitei. E foi uma hesitação dolorosa. Foi quando ele girou molhado no ar, que eu percebi que me preocupava muito e completamente com ele. Mas, ainda sim, hesitei. Meus punhos travaram, meu próprio corpo me segurando facilmente, como quem diz: "cuida dessa instabilidade primeiro, para de tremer. Não adianta pegar esse copo se vai deixá-lo cair outra vez." (...) Não é justo... copo nenhum tem que pagar pela minha instabilidade. Copo nenhum. 

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