quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Blame on

O escuro não permitiu que se olhassem nos olhos. E esse foi o único defeito. Aquele tipo de conversa deveria ser frente à frente, coração aberto, a toda prova... verdades, paixão e todo o cuidado do mundo, fluindo de uma para a outra. Mas tudo bem. Emboladinhas nas cobertas, blindadas por silêncio e escuro, também funcionou. Eram raras, as vezes eu podiam deitar juntas, e sabiam varolizá-las. Ela tinha essa mania de destribuir toques-supresa, quando estavam assim. Gostava da forma que a outra tinha de reagir quando as peles se encontravam. Foi no meio de um carinho que me escorregava coluna abaixo que comecei a falar. 

"Eu não consigo mais fazer isso. Preciso te contar uma coisa." Ela se retraiu, recolheu os dedos, cessou o carinho. "O que é?"

Seis anos depois, a que escolheu viver um amor gigantesco e deixou a outra deitada, voltava pra casa e descobriu que ela tinha estado ali. "Ela cochilou na sua cama, estava cansada." Eu sei, eu reconheceria esse cheiro em qualquer, qualquer dia e lugar.

(...)

Gosto de pensar que eu não te perdi. Que eu não abri mão de você. E não deixei você ali, chorando, e me escondi no coração de outra pessoa durante anos e anos. E que - sim, acabou - mas porque tinha de acabar, porque nós nascemos praticamente juntas e merecemos finais separados. Gosto de fingir que foi assim... E que, naquela época, nós continuamos crescendo juntas, e ainda fomos muitas vezes para a praia juntas, e dividimos a mesma cama (em segredo). E odeio quando percebo que te deixei ir morar fora, quando você ainda era tão criança e inexperiente. Não insisti pra que ficasse. E te deixei parar de me mandar emails, ou cobrar telefonemas... Você poderia ter sido a minha alma gêmea - ou a minha melhor amiga - ou o meu maior erro. Você poderia ter sido e eu odeio essa conjugação.

Espero que, de longe, você me odeie. E esteja bem. Feliz.
Espero que você sorria todos os dias e que, um dia, volte a me odiar de perto. 



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