quinta-feira, 5 de junho de 2014

Discursos esquecidos

Forgotten Speeches é o nome do livro que um de nós deveria ter publicado, quando éramos jovens demais para entender qualquer coisa sobre "esquecer".

É engraçado - e definitivamente irônico - lembrar disso agora. Justo agora, quando esquecer é só o que temos feito.

Se bem que tem discursos que não foram vividos para ser esquecidos. E, embora atualmente desassociar lembranças tuas das nuances românticas da época seja, para mim, processo automático e natural, dessa eu lembro com carinho.

Fazia uns treze graus e o só chovia. Você segurou minhas duas mãos, sempre frias e, dessa vez, molhadas de tristeza. Perguntou por que eu fazia isso comigo mesma. Mesmo ante a minha resposta confusa, que veio meia hora depois junto com uns resquícios de choro, você não perdeu a paciência. Me aninhou no seu peito. Disse coisas simples e coloridas que não significavam nada de verdade, mas me tranquilizaram pelo simples fato de que estavam sendo ditas para isso.

Você era péssimo em vários aspectos. Talvez não sob os meus olhos de lá, daquela época. Muito provavelmente eu só enxerguei seu punhado defeitos aqui, depois de anos. O fato é que você era péssimo... mas não com isso. Me acalmava. Acalentava. Se preocupava de verdade.

Queria te dizer que eu estou bem. E encontrei esse conforto novamente. Dessa vez, de uma forma adulta e segura, que funciona bem para todo mundo.

Não se esqueça desse recado. Desse discurso... e se cuida.

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