quinta-feira, 23 de abril de 2015

A gente se lembra

A gente definitivamente não sabia o que estava enfrentando. É a unica coisa que eu sei com certeza sobre a "coisa" toda.

Falar dessa forma, faz com que pareça ser uma tragédia muito maior do que foi de fato. Se bem que, sabe... foi uma tragédia proporcionalmente ruim. Por ter sido daquele jeito, naquela época, para aquelas pessoas - que hoje nós reconhecemos como versões mais instáveis e imaturas de nós, mas na época não reconhecíamos como nada.

Eu explico: ninguém de dezesseis anos deveria sofrer tanto. Ou ver pessoas próximas sofrendo tanto.

Não somos psicólogas, o diagnóstico nunca foi compartilhado, mas aqueles meses, acredito eu, foram o mais próximo que já estivemos da depressão. A dela, no sentido biológico, e a nossa, no sentido atado, metafórico, coadjuvante e espectador.

Nós seguramos os cabelos no banheiro e corremos, pelos corredores do colégio, com os bolsos cheios de papel descartável pra secar as lágrimas. Nós nos preocupamos, mais e mais, a cada ausência e nos sentimos enjoadas a cada semblante sem foco. Nós tentamos pegar nas mãos frias, nós tentamos ligar, nós tentamos sorrir e distrair.

Vendo de fora, parece que fizemos a nossa parte, sempre desesperada, muito bem.

O fato é que algumas de nós - hoje eu sei -, por não saber como lidar com a situação, escolhemos as piores formas e momentos para nos retrairmos. E fomos injustas.

Repito: dezesseis anos não é a idade pra lidar com terror e tristeza. Não teve terror, mas teve muita tristeza e, como consequência, a ameaça constante do terror.

Dezesseis anos não é a idade para lidar com nada. E hoje eu desabafo, nesse ensaio tardio, porque finalmente percebi isso, porque finalmente voltei a pensar nisso (ao invés de encaixotar num canto escuro, junto dos traumas e ideias ruins).

Não foi só um capítulo para nunca mais falarmos sobre, tá? Não foram só alguns meses confusos. Foi horrível. E nós sabemos, nós lembramos e te amamos, menina. Também estamos muito, muito felizes que hoje você esteja bem. E, guess what, já conseguímos falar sobre aquilo outra vez. E vamos superar - dessas vez de verdade - pra sempre. E sempre juntas.

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